Entenda por que a exposição precoce, o tempo de tela e a agressividade online elevam ansiedade e depressão, e quais medidas concretas pais, escolas e plataformas podem adotar
O uso das plataformas mudou a forma de se relacionar, mas trouxe riscos que afetam o desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.
Estudos apontam ligação entre uso intenso de redes e aumento de sintomas de ansiedade, depressão e queda da autoestima.
Nesta reportagem explicamos como a exposição e o tempo de tela influenciam a saúde mental, e trazemos orientações práticas para reduzir danos.
conforme informações das fontes recebidas, incluindo estudo publicado na revista Nature Communications, relatório do regulador de comunicações do Reino Unido, pesquisa da Unesco e relatório U-Report do Unicef
Por que a adolescência é mais vulnerável
O cérebro em desenvolvimento torna adolescentes mais propensos a imitar comportamentos e a buscar pertencimento nas redes, o que intensifica os efeitos sobre a autoestima.
Segundo o psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade de Nova York, “a piora significativa na saúde mental dos adolescentes começou justamente a partir de 2010, quando as redes se popularizaram”.
Um estudo publicado na Nature Communications mostra que os efeitos aparecem mais cedo nas meninas, a partir dos 11 anos, enquanto nos meninos eles surgem entre 14 e 15 anos.
Tempo de exposição, imagem corporal e atenção
Quanto maior o tempo de exposição às telas, maiores os impactos cognitivos e emocionais, incluindo queda da autoestima, dificuldades de atenção e aumento dos sintomas depressivos.
O problema começa cedo, com dados que mostram que “30% das crianças de 5 a 7 anos já usam redes sociais. Esse número sobe para 89% entre 12 e 15 anos.”
Além disso, “62% do público com mais de 8 anos relatam ter uma conta conhecida pelos pais e outra restrita apenas a amigos”, e “16% das crianças entre 3 e 4 anos já assistem a vídeos no TikTok”.
Agressividade, extremismo e cyberbullying
O ambiente online pode amplificar hostilidade, por causa do distanciamento e do anonimato, e facilitar a disseminação de ideologias radicais entre jovens.
Pesquisa citada indica que “58% dos jovens acreditam que a internet aumentou a agressividade e o extremismo, e 34% deixam de expressar opiniões online por medo de retaliações”.
O cyberbullying também cresce, e o relatório U-Report do Unicef aponta que “um em cada três jovens já sofreu esse tipo de agressão. O dado mais grave: um a cada cinco abandonou a escola por causa disso”.
Sharenting e riscos para crianças pequenas
A prática de pais que compartilham imagens e informações dos filhos, conhecida como sharenting, pode comprometer privacidade e saúde emocional das crianças.
Essa superexposição tende a criar necessidade constante de aprovação, baixa autoestima e maior vulnerabilidade ao cyberbullying e ao aliciamento.
Por isso, combinar orientação, diálogo e limites é essencial para reduzir riscos e preservar o desenvolvimento saudável.
Como proteger a saúde mental nas redes sociais
Criar um ambiente de diálogo aberto, com conversas frequentes sobre o que é visto online, ajuda a desmitificar padrões e reduzir efeitos negativos.
Definir pausas, horários e regras claras é eficaz para regular o tempo de tela, enquanto vivências fora da internet fortalecem interesses e autoestima.
Adultos precisam dar o exemplo, pois o comportamento dos pais e educadores é referência direta para crianças e adolescentes.
Iniciativas como a Internet Matters, no Reino Unido, mostram que apoio a famílias e escolas, aliado a políticas de plataformas, pode tornar o ambiente digital mais seguro.
Em resumo, proteger a redes sociais e saúde mental envolve limitar a exposição, educar sobre riscos, oferecer suporte emocional, e cobrar medidas de segurança das plataformas.
